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quinta-feira, 24 de abril de 2014



A lua de Saturno tem um oceano e pode conter vida

Publicado em 9.04.2014



 De acordo com novos dados fornecidos pela sonda da NASA Cassini, há um grande oceano embaixo de uma espessa camada de gelo na sexta maior lua de Saturno, chamada Enceladus.
Esses resultados, publicados no jornal especializado Science, apoiam suspeitas anteriores de que essa pequena lua tem água em estado líquido, o que a coloca em grupo exclusivo de mundos extraterrestres do sistema solar que parecem ter uma boa dose da substância vital à vida escondida em seus territórios.

Os outros integrantes desse grupo, até o momento, são Titan, uma outra lua também de Saturno, e Europa, uma lua de Júpiter.
Enceladus é considerada pequena, por ter um diâmetro de apenas cerca de 500 quilômetros. Em 2005, a mesma sonda Cassini descobriu que as fraturas localizadas na sua região polar sul, conhecidas popularmente por “listras de tigre”, emitem jatos de vapor de água rica em sal. Cassini também detectou moléculas orgânicas, que podem vir de fontes biológicas ou não biológicas, perto das “listras de tigre” e em grãos de poeira na região.

O que os cientistas pensam que há lá

No pólo norte da lua Enceladus, encontra-se uma grossa camada de gelo com cerca de 50 quilômetros de espessura. E, embaixo dela, há uma rocha. Mas, no pólo sul desta mesma lua, pode haver uma camada de gelo de apenas 18 a 24 quilômetros de profundidade, de forma que abaixo dela estaria o oceano de que falamos.

De acordo com os cientistas da NASA, este oceano parece ser um “reservatório em forma de lente”. Novos estudos e outros dados recolhidos anteriormente pela sonda Cassini parecem apontar que ele se encontra em cima de um núcleo rochoso de silicato e “pode se estender até a metade ou mais para o equador em todas as direções”, disse David Stevenson, professor de ciência planetária no Instituto de Tecnologia da Califórnia (EUA).

Para Jonathan Lunine, da Universidade de Cornell (Estados Unidos), se isso for verdade, a água que circula na rocha iria pegar elementos como fósforo, enxofre, potássio e sódio – que são nada menos que essenciais para a formação de moléculas que a vida precisa.

Outro aspecto que chamou atenção dos descobridores deste improvável oceano foi que o gelo localizado no pólo norte da lua está cheio de crateras, enquanto que o do pólo sul é mais suave – o que, segundo eles, significa que ressurgiu e se suavizou.

Com relação ao oceano estar no topo da rocha, os dados de gravidade de Enceladus “fazem com que a base dele seja muito parecida com a base do nosso próprio oceano na Terra”, disse Lunine.

Mas como é possível saber tudo isso?

É o que você deve estar se perguntando, com base no fato de que ninguém foi até Enceladus para ver se o oceano realmente existe. Os cientistas garantem que há fortes indícios de sua existência, contudo, com base em medições de gravidade feitas por meio da Cassini.

Quando a sonda espacial está voando perto de Enceladus, a gravidade da lua muda a velocidade da nave, e os cientistas podem medir essas mudanças na Terra através da detecção das variações na frequência do sinal que Cassini envia.


Se a velocidade da nave espacial não sofresse nenhuma mudança, a frequência do sinal permaneceria a mesma. Mas, dependendo de onde Cassini voa, a frequência do sinal muda de forma particular. Isso permite que os cientistas tirem mais conclusões a respeito dos recursos que se encontram no subsolo da lua, como este oceano de água líquida de que falamos.

Os cientistas já sabiam sobre a presença de uma depressão ou “covinha” no pólo sul de Enceladus, “como se houvesse uma certa quantidade de material, efetivamente, em falta”, disse Lunine. Mas, neste novo estudo, a mudança na gravidade associada a esta depressão não era tão profunda como esperavam. “Deve haver alguma camada de maior densidade por baixo do gelo, e isso tem que ser um oceano de água líquida, porque não há realmente nada mais plausível que possa explicar a compensação para o que seria de se esperar para a assinatura da gravidade neste depressão”, explicou.

Mas então como podemos procurar por sinais de vida lá?

Digamos que o envio de uma sonda para Enceladus com uma broca não seria a opção mais prática, porque a água líquida está, até onde se sabe até agora, embaixo de uma camada de gelo absurdamente espessa e, consequentemente, de difícil acesso. Ao invés disso, uma boa opção seria mandar uma nave especial para sobrevoar a lua, com equipamentos mais sofisticados do que Cassini, para tentar encontrar um certo “menu de moléculas” associado a um sistema biológico avançado, disse Lunine.

Detectar esse tipo de molécula poderia ser “a arma fumegante para verificarmos se de fato há vida lá ou não”, finalizou.[CNN, Huffington Post, NY Times

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