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quarta-feira, 25 de dezembro de 2013


Nova Espécie de Anta é Descoberta no Brasil pela Primeira Vez em Mais de 150 Anos

 

Uma pesquisa da Universidade Federal de Rondônia com crânios de anta juntados no início do século levou a descoberta de uma nova espécie do animal no país.
De acordo com o paleontólogo argentino Mario Cozzuol, a anta morta há pouco tempo era diferente das demais, e foi assim que ele percebeu que era um animal vivo de uma espécie distinta, ao invés de um mamífero extinto há milhares de anos.

Depois de dez anos de análises da morfologia e genética de antas vivas e extintas, o resultado foi a descoberta de uma nova espécie que ainda povoa a Floresta Amazônica, nomeada Tapirus kabomani, publicada no Journal of Mammalogy.

O animal


Essa é a primeira espécie da ordem Perissodactyla, que também inclui cavalos e rinocerontes, encontrada nos últimos cem anos. Também é a primeira nova anta dos últimos 150 anos.
O animal é menor do que seu parente Tapirus terrestris, ou anta-brasileira, e possui pernas mais curtas. Na verdade, é a menor anta conhecida, com altura de ombro de cerca de 0,9 metros e comprimento do corpo de até 1,3 metros.

A anta-brasileira pode pesar até 300 quilos, enquanto a nova espécie tem a metade desse peso, cerca de 110 kg. Também possui uma coloração mais escura e uma crista menos proeminente.

Análises mostram diferenças de coloração entre machos e fêmeas. Elas têm uma área branca acinzentada que se estende a partir da mandíbula inferior para a base das orelhas e o pescoço.
 
Eles não apresentam estas manchas, e as pontas das suas orelhas têm uma linha branca, como a de outras espécies de Tapirus.

Fêmea

Macho
A dieta de Tapirus kabomani consiste principalmente de folhas e sementes das palmeiras Attalea maripa, Orbignya phalerata e Astrocaryum aculeatum. O nome da espécie, “kabomani”, significa anta na língua dos índios Paumari.

O paleontólogo explica que a nova espécie se diferenciou da anta-brasileira há cerca de 300 mil anos.
Esta é a terceira espécie de anta viva reconhecida na América do Sul e a quinta no mundo. Apesar de ter sido descoberta na divisa dos estados de Rondônia e Amazonas, Cozzuol acredita que esteja distribuída por toda a Amazônia. “A nova anta vive em mosaicos, com áreas de floresta e mata mais baixa, enquanto a anta-brasileira prefere vegetação mais uniforme”, argumenta.

Para conhecer melhor os hábitos e a distribuição desta nova espécie, vão ser necessários mais estudos. A próxima etapa da pesquisa é determinar o status de conservação do animal, que provavelmente está ameaçado, já que a espécie de anta mais comum na América do Sul é considerada vulnerável à extinção pelo Livro Vermelho do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade.

O estudo também levou a descoberta de uma anta já extinta, a Tapirus rondoniensis.
Descoberta científica x nativa

A pesquisa confirmou uma diferença que índios Karitiana e ribeirinhos já conheciam, mas que para cientistas se tratava apenas de variações de uma mesma espécie.
“Os índios nos traziam crânios de animais caçados e diziam quais eram da nova espécie e quais eram da outra. E essa divisão era verificada também nos testes que fazíamos”, conta Cozzuol, hoje professor da Universidade Federal de Minas Gerais.

Ribeirinhos já tinham até nome para essa espécie: anta-pretinha. Além disso, uma curiosidade histórica envolve a “velha” espécie: ela já foi alvo de um presidente americano, Theodore Roosevelt, que esteve no Brasil no início do século XX e abateu uma anta que hoje está no Museu Americano de História Natural, em Nova Iorque (EUA). Era uma anta-pretinha. [SciNews, OEco]


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